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1ª AULA - CAMINHO DA ESCOLA

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 CAMINHO DA ESCOLA

 

     O caminho para a escola onde trabalho, começa às seis horas da manhã, quando o rádio relógio começa a tocar. Um som que considero detestável, chato, que por muitas vezes me deixa irritada.

 

 

      Vou de carro todos os dias, e no caminho do meu  prédio até a garagem, já encontro pessoas com seus animaizinhos de estimação, deixando suas fétidas necessidades nas calçadas por onde as pessoas devem passar.

     Logo ao sair da garagem, passo pela Estação São Leopoldo, onde o que mais chama a atenção, são os moradores de rua dormindo debaixo da elevada, sujos, bêbados, com suas garrafas ao lado do corpo, cobertos com panos imundos. Vejo isso e agradeço pela minha casa e meu trabalho.

 

 

 

      Seguindo, mais adiante, passo por uma escola municipal, igual a minha, mas muito mais bonita, equipada, moderna. Onde pais largam seus filhos em belos carros e onde os guardas municipais cuidam do trânsito, para que as crianças atravessem a avenida sem nenhum tipo de acidente.

     Passo pelo Corpo de Bombeiros e silenciosamente peço que eles não precisem tirar seus caminhões e ambulância da garagem naquele dia. Peço por todos, mas egoisticamente por meus filhos, que sei que também estarão dali a pouco saindo para o trabalho, para este caos que está transformado o nosso mundo. Os caminhões, ambulância e aquele prédio me dão arrepios, sempre. Imagino as sirenes e reforço o meu pedido.

     Ônibus passam pelo carro, levando pessoas para seus trabalhos, ou suas casas, porque imagino que muitas delas trabalham a noite toda e cansadas vão para seu descanso. Ônibus lotados, com motoristas impacientes, irritados e talvez insatisfeitos com suas vidas. Agradeço por não estar dentro de um deles.

 

     A uma certa altura do trajeto, uma ponta de inveja... Pessoas que fazem sua caminhada, limpando a mente e cuidando do corpo, da saúde. Todos os tipos de pessoas, gordas, magras, altas, baixas, pobres, ricas, brancas, negras, com o mesmo objetivo. O canteiro central da avenida não está sendo o local ideal para a caminhada: a grama está alta, os galhos das árvores muito grandes e baixos, trazendo dificuldades, mas mesmo assim todos estão ali todos os dias. Muitos já conheço de passagem.

   

  Já bem perto da escola, as empresas. A escola fica numa zona industrial. Trabalhadores saindo e entrando, trocando de turno. Muitas empresas com jardins muito bem cuidados, gramas aparadas. As árvores, anunciando o outono, com cores que se confundem entre verdes, amarelos, marrons...

     Em frente à escola, cuidando da travessia dos alunos, um voluntário. Não são os guardas municipais da escola central. Somos periferia e lá eles não vão, nem quando chamados para alguma ocorrência com alunos. E a avenida é a mesma. As crianças vêm e vão e o "tio Vítor" exercita toda a sua paciência.

   

  Faço o retorno, estaciono o carro e desço para mais um dia de trabalho.

 

 

Cleide Maria da Silva

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